O Cobramseg 2008 confirmou, mais uma vez, a força da ABMS, entidade representativa de engenharia geotécnica brasileira. Foram 700 os participantes do evento, dos quais cerca de 40 eram estrangeiros e cerca de 200 eram os chamados “geojovens” – engenheiros e estudantes geotécnicos com idade inferior a 36 anos. “Tudo isso mostra que a ABMS cresce e se renova a cada ano, a cada evento, a cada Cobramseg”, afirma o presidente da Associação, Alberto Sayão. Leia a seguir mais detalhes dos quatro dias do evento.
PRIMEIRO DIA
ABMS dá início ao Cobramseg em Búzios
A ABMS inaugurou no sábado, 23 de agosto, o Cobramseg 2008. No primeiro dia, após a abertura presidida pelo presidente da ABMS, Alberto Sayão, o evento foi palco do Geojovem (foto à direita). Cerca de 20 trabalhos técnicos foram apresentados nas palestras dos jovens engenheiros geotécnicos. Outro destaque do sábado foi a palestra do engenheiro Gustavo Simões, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que tratou de aterros sanitários e geotecnia ambiental. Simões destacou um trabalho sobre o complexo Iagunar de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
O final do primeiro dia foi ilustrado com a sessão solene de apresentação dos prêmios ABMS referentes ao biênio 2006-2007. O prêmio Icarahy da Silveira (melhor dissertação de mestrado) foi para a USP - São Carlos, com o trabalho de Eder Carlos dos Santos. O prêmio Costa Nunes (melhor tese de doutorado) foi para a PUC-Rio, com a tese de André Pereira Lima. Dentre os prêmios profissionais, Arsênio Negro Jr. recebeu o Prêmio Manuel Rocha, Orêncio Vilar ficou com o Prêmio José Machado e Nilo Consoli foi agraciado com o Prêmio Terzaghi. Confira mais detalhes do primeiro dia aqui.
SEGUNDO DIA
Barragens de hidrelétricas e de mineração, os destaques
No domingo, 24 de agosto, alguns dos principais especialistas brasileiros e internacionais participaram de apresentações sobre a segurança de barragens durante o Cobramseg 2008. O presidente da ABMS, Alberto Sayão, conduziu debates sobre barragens hidrelétricas e em seguida Ana Laura Nunes, presidente do Comitê Brasileiro de Mecânica de Rochas, da ABMS, presidiu uma sessão sobre barragens de mineração (foto à esquerda), utilizadas para armazenar materiais estéreis ou rejeitos.
As sessões contaram com grandes nomes como Ricardo Oliveira, de Portugal, o belgo Guy Bourdeaux, Rogério Menescal (superintendente da Agência Nacional de Águas), Cássio Viotti (ex-presidente do Comitê Internacional de Grandes Barragens), o chileno Luis Valenzuela, o espanhol Claudio Olalla (presidente da Sociedade Espanhola de Mecânica das Rochas) e Joaquim Pimenta D'Ávila (consultor).
Foram tratados temas como a relação entre o aumento da possibilidade de acidentes e as pressões quanto a prazos e restrições orçamentárias para a realização dos estudos geotécnicos requeridos para os projetos. Barragens de enrocamento também foram discutidas. Confira mais detalhes do segundo dia aqui.
TERCEIRO DIA
Infra-estrutura urbana e tecnologias
de investigação predominam
Na segunda-feira, o Cobramseg voltou com plenárias que discutiram assuntos de destaque como as “Novas Tecnologias de Investigação” e “Técnicas de Investigação em Maciços Rochosos”. O engenheiro Luciano Décourt coordenou os debates.
A infra-estrutura urbana também foi destaque deste dia. O prof. Jorge de Souza, de Coimbra, falou sobre os túneis de metrô em Portugal e no Brasil. Temas como o Jet grouting em túneis urbanos e as novas normas de pavimentação das pistas de aeroportos também foram apresentados. Confira mais detalhes do terceiro dia aqui.
QUARTO DIA
No quarto dia, Cobramseg debate fundações
e acidente no Metrô-SP
A geotecnia em ambiente marinho e as perspectivas da engenharia de fundações (foto da mesa à esquerda) dominaram as atenções dos participantes do Cobramseg 2008 na manhã dia 25 de agosto. Claudio Amaral, da Petrobrás, abordou um tema de crescente importância para o país: “A geotecnia marinha aplicada à indústria off-shore de óleo e gás”. Os projetos de portos no país foi outro assunto que mereceu destaque neste dia, com uma palestra do engenheiro Luciano Moraes Jr..
A plenária 6, que encerrou o Cobramseg 2008, levantou, entre os participantes, discussões sobre os desafios e as perspectivas da engenharia de fundações do Brasil, com a recente retomada dos investimentos em infra-estrutura. Um debate animado, com intensa participação da platéia, formada por especialistas brasileiros e internacionais, coroou os últimos instantes do evento. Confira mais detalhes do quarto dia aqui.
WORKSHOP INTERNACIONAL
“Infra-estrutura urbana nas megacidades”
Encerrado o Cobramseg 2008, deu-se continuidade ao Workshop internacional sobre “Infra-estrutura urbana nas megacidades”, organizado pelo Comitê Técnico 41 da ISSMGE (Sociedade Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica). O debate final (foto) sobre o acidente no Metrô de São Paulo gerou intensa participação da platéia. As muitas perguntas apresentadas estenderam a sessão até as 21 horas do dia 25.
Foi possível reunir, pela primeira vez, duas das principais linhas de investigação sobre o acidente: de um lado, o relatório do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), que foi apresentado pelo engenheiro André Assis, membro da comissão, e do outro o estudo realizado pelo engenheiro Nick Barton, contratado pelo Consórcio Via Amarela (CVA).
QUINTO DIA
Visitas técnicas ilustram o último dia do evento
O dia seguinte (26 de agosto) foi dedicado a visitas técnicas às obras da Hidrelétrica de Simplício (foto à direita) e ao Laboratório da Centrífuga Civil da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). As duas visitas reservaram novidades aos participantes. “Ambas opções muito interessantes”, revelou prof. Alberto Sayão, presidente da ABMS. “Uma obra importante para a região Sudeste e um laboratório especial com equipamento de grande porte, pouco usual”.
Ao final do Cobramseg, a importância de um evento geotécnico desse porte ficou ainda mais evidente. “A integração entre ‘geojovens’ e ‘geoseniors’ merece destaque”, ressaltou o prof. Sandro Sandroni. “Houve uma grande qualidade nos temas escolhidos e nos trabalhos apresentados”.
Além dos temas, a escolha do local também recebeu elogios. Segundo a professora Ana Cristina Sieira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o fato de o evento ser realizado em Búzios contribuiu para o clima de descontração e para a desenvoltura das apresentações.
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